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A Meditação tende para o zero e a
Concentração tende para o 1. A verdadeira meditação é 0% de
pensamentos e 100% de consciência. Meditar é se religar aos Cosmos e se tornar uno com
Ele.
A meditação favorece a saúde física e mental e é um ato puramente fisiológico, simples que qualquer pessoa pode praticar sem grandes complicações. Não é preciso mudar de religião, filosofia, crença, fé, estilo de vida, nem comer ou deixar de comer algo ou alguma roupa especial, nem nenhuma droga ou remédio e muito menos adornos, velas ou incensos no ambiente ou alguma luz especial.
Para meditar é preciso relaxar e o relaxamento favorece a geração das ondas alfa mentais liberadoras de stress e facilitadoras da regeneração das células do corpo.
Existem diversos tipos e técnicas de meditação, umas com ritual, outras em certa posição e ainda outras com mantras, mas não é preciso nada disto. Até máquina para meditar já inventaram, o Dreammer, que é caro, desconfortável e de efeito menor que a meditação natural.
A verdadeira e mais eficiente meditação procura criar um vazio mental, um evento de não pensar a fim de se transcender os condicionamentos humanos, sejam físicos, psicológicos, emocionais.
Não é tão fácil conseguir atingir um estágio destes e é preciso prática duas vezes ao dia durante ao menos 15 minutos. Meditar não é dormir e nem ficar pensando em negócios, preocupações, contas ou sexo, mas procurar deixar o pensamento fluir para sair, sair e sair.
Somos bombardeados por informações o dia todo e estas ficam acumuladas a nível subjacente. Quando relaxamos começa vir aquela onda de pensamentos desconexos, são as informações "vazando pelo ladrão" a fim de liberar o stress de mais um dia.
Para meditar temos várias sugestões, embora não sejam obrigatórias, são fundamentais para bom rendimento da mesma. A primeira coisa que desejamos deixar bem claro é que a meditação não oferece risco ou perigo algum seja o praticante cardiopata, autista, portador da síndrome do pânico, epilético, portador de disritmia ou qualquer mal emocional, psicológico, psiquiátrico, físico ou espiritual, aliás muito pelo contrário é altamente aconselhável que os portadores das síndromes supra citados sejam praticantes assíduos da mesma.
Não é necessário pagar cursos caros para fazer meditação, você fará de graça se seguir as instruções de nossa home page. Somos um casal (Dalton e Andréa) e temos bastante experiência na área. Dalton fez o curso da MT - Meditação Transcendental, adquiriu o dreammer e o testou, além de conhecer outros tipos como a meditação Shinsokan da Seicho No Ie. A meditação já é largamente receitada em consultórios médicos e de psicólogos.
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Aprendendo a Meditar
Periodicidade: 2 vezes ao dia durante 15 ou 20 minutos no horário que desejar ou puder
Local: qualquer lugar de preferência quieto pelo menos para iniciar e depois que estiver prático, qualquer lugar e hora com a maior facilidade, como por exemplo: dentro de um ônibus em pé.
Posição: sentado confortavelmente sem encostar a cabeça para não dormir ou acumular tensões na nuca e para distribuir as energias pelo corpo de forma homogênea. Olhos fechados, braços e pernas como se sentir melhor.
Meditando: meditar é algo abstrato e difícil de se detalhar, pois é um sentimento muito íntimo, intrínseco a consciência. Pois é, como faço para não pensar? Não consigo? Nada mais natural, basta fechar os olhos e vem aquela onda de pensamentos. Então o que faço? Deixe os pensamentos fluírem, mas não "dê corda" neles. Deixe-os por si próprios. Na verdade se você for assíduo, ficará meses meditando e tendo pensamentos, mas se você persistir eles irão diminuindo com o tempo.
Meditar não é concentrar, não é forçar, não é empurrar. A pessoa não vê nada, não ouve, não sente, embora a princípio tudo isto pode acontecer. As técnicas que utilizam o mantra (uma palavra curta sem significado ou com) o utilizam não só por fins didáticos, mas por facilitar ao praticante a lidar com a onda de pensamentos, embora não seja obrigatório. o mantra é uma palavra muito antiga já utilizada por outros pesquisadores, meditantes, sábios e espiritualistas a muito mil anos, assim ele já evoca, chama, carrega e trás uma energia junto e esta energia pode ajudar ao praticante da meditação a conquistar melhores resultados mais rapidamente. Existem mantras sagrados chamado bija mantras que são sons bem curtos e práticos que evocam uma egrégora superior, ou seja, uma egrégora de fora do planeta.
Para usar o mantra não posso forçar, pois se forço estou concentrando e concentrar não é meditar.
Então como usar o mantra?
Assim como os pensamentos tem que sair espontaneamente e não devem ser estancados o mantra deve ser colocado suavemente e caso os pensamentos prevaleçam, deixe-os! Até que a cachoeira de pensamentos se transforma numa cascata menor e o mantra encontra mais espaço mental.
Mesmo depois que tiver fácil a administração do mantra na mente o ideal será uma mente totalmente vazia, sem mantra ou pensamentos. mente com zero por cento de pensamentos e cem por cento de consciência.
A Meditação fez um trabalho interessante, uma pesquisa para catalogar os benefícios da meditação e claro, eles argumentam que a deles é a melhor, mas na verdade são todas parecidas e atingem o mesmo objetivo no mesmo tempo. A questão é que quem vende um curso caro deseja justificar o preço que cobra. De qualquer forma eles contribuíram e contribuem para divulgar esta técnica boa de meditação, mas a pesquisa deles tem a finalidade de marketing para convencer e vender o seu produto.
Não tem jeito, meditação é meditação e o jeito de cada um não é melhor que o outro, cada pessoa é que se adequa mais ou menos a cada linha específica. Cada um acha sua ciência, política, religião e espiritualidade melhor que a dos outros.
Veja nosso slide gratuito sobre Meditação
E só respirar
Recomendada pelos médicos, estudada pelos cientistas, pratica por milhões mundo
afora. Conheça essa técnica ancestral de autoconhecimento e tudo o que ela
pode fazer por você.
Na sala vazia e silenciosa, dois monges zens, com seus mantos e cabeças
raspadas, estão sentados no chão, lado a lado, pernas cruzadas. Depois de
alguns instantes, o mais jovem lança um olhar surpreso e irônico para o mestre.
Sereno, o velho monge comenta: “É só isso, mesmo. Não se trata de uma cena
real. É só uma charge publicada na renomada revista
americana The New Yorker, brincando com o novo hábito americano de meditar
regularmente, como fazem os orientais há milhares de anos. A fina ironia
da charge, no entanto, tem a ver com a realidade. Embora singela, a
atitude de sentar sobre uma almofada (ficar em posição de lótus exige um preparo
de monge) e ficar a atento a própria respiração e tão
fora do propósito em nossa rotina atabalhoada que e fácil se identificar com o
jovem monge, perplexo e irônico, ao encará-la pela primeira vez. Comigo não foi
diferente.
Na primeira vez em que me detive a acompanhar o compasso da respiração,
o sentimento inicial foi de surpresa. Espantei-me pela rapidez com que
tudo caminhou para a inatividade. O turbilhão de pensamentos que
ocupava a minha mente (uma conta para pagar, um cena do filme que vi no dia
anterior, uma ótima piada para contar aos amigos) foi desaparecendo sem
que eu me desse conta. O incomodo da perna dormente, pressionada pela flexão, logo foi substituído por um inesperado prazer, prazer de
simplesmente respirar. Então, de repente, foi como se tudo houvesse parado
nos primeiros segundos depois de acordar, aqueles instantes em que você
se sente presente e alerta, mas com a cabeça vazia. Enfim, aqueles
poucos segundos do dia em que nada acontece.
Foi então que tudo ficou meio irônico: o êxtase, o delicioso
estranhamento que entupiu meus sentimentos, acabou em um segundo! E no instante
seguinte todos os pensamentos voltaram: a conta, o filme, a piada e mais
um monte de coisas. Rindo comigo mesmo, me perguntei – talvez como um
jovem monge perplexo e desconfiado – se não haveria algo mais divertido
para fazer naquele instante. Mas logo me peguei novamente de olhos
fechados.
Quer dizer que meditar é só parar e não pensar em nada? É. Como
afirmam os especialistas, e um não-fazer. Mas, acredite, não e fácil.
Não
para ocidentais como eu e você, acostumados com a idéia de que, para
resolver um assunto, o primeiro passo é pensar bastante nele. Na
meditação, a idéia e exatamente o oposto: parar de pensar, por mais bizarro
que isso pareça.
A novidade e que, mesmo parecendo alienígena, a meditação conquista
cada vez mais adeptos no Ocidente. Dez milhões de americanos meditam
regularmente em casa e em hospitais, escolas, empresas, aeroportos e até em
quiosques de internet. Entre os milhões de meditadores americanos
estão celebridades de grosso calibre, como o dirigente da Ford, Bill Ford,
e o ex-vice presidente Al Gore. No Brasil, a exemplo da Hollywood dos
anos 90, a meditação entrou a rotina de estrelas – como a atriz
Christiane Torloni e a apresentadora Angélica, que recorreu a pratica para
livrar-se de uma crise de síndrome do pânico – e virou ferramenta diária
de produtividade em empresas e ate em alguns círculos do poder. O
prefeito de Recife, João Paulo, por exemplo, só inicia o expediente após
meditar por alguns minutos.
Mas como é que algo assim, na contramão do pragmatismo moderno,
consegue empolgar tanta gente? Como pode haver gente capaz de pagar caro
para
participar de sessões de meditação – ou seja, para ficar sentado em
silêncio em uma sala quase sem móveis? Sem dúvidas há muita gente
desiludida com o modo de vida ocidental (a destruição do meio ambiente, a vida
cada vez mais solitária das grandes cidades e a competição pelo
ganha-pão). Mas esse contingente não é capaz de explicar, sozinho, a
explosão
da meditação. A verdade é que a ciência resolveu se debruçar sobre os
efeitos dessa prática, e as noticias dos laboratórios de pesquisa cada
vez convencem mais pessoas a relaxar em posição de lótus.
O principal resultado dessas pesquisas pode ser resumido em duas
palavras: meditação funciona. Ou seja, por mais estranho que pareça aos
ratos de academia que se esfalfam em exercícios para melhorar a capacidade
cardiorespiratória, não fazer nada por alguns minutos diariamente tem
efeitos palpáveis, reais e mensuráveis no corpo. E o melhor: só
apareceram efeitos positivos (pelo menos até agora). Ou seja, aquilo que
os
adeptos da tradicional medicina chinesa e os mestres budistas viviam
repetindo (com um sorriso bondoso no rosto) começa a ser comprovado por
alguns renomados centros de pesquisa ocidentais, com as universidades de
Harvard, Columbia, Stanford e Massachusetts, nos Estados Unidos, e pela
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no Brasil.
E difícil listar as descobertas porque as pesquisas sobre meditação
alcançaram a maioridade recentemente. Mais precisamente no ano 2000,
quando o líder do budismo tibetano, o Dalai Lama (sempre ele), encontrou-se
com um grupo de psicólogos e neurologistas no Índia e sugeriu que os
cientistas estudassem um time de craques da meditação durante o transe,
para ver o que ocorria com os seus corpos. Os cientistas abraçaram o
desafio e, desde então, as pesquisas não param de produzir surpresas. Já
se sabe, por exemplo, que meditar afeta, de fato, as ondas cerebrais.
Sabe-se também que isso tem efeitos positivos sobre o sistema
imunológico, reduz a tensão e alivia a dor. “Três décadas de pesquisa
mostraram
que a meditação e um bom antídoto ao estresse,” diz o jornalista e
psicólogo americano Daniel Goleman, autor de livros Inteligência Emocional
e Como lidar com as emoções destrutivas, este relato do encontro dos
cientistas com Dalai Lama. “Agora, o que esta na mira dos pesquisadores
é saber como a meditação pode treinar a mente e reformatar o cérebro”,
afirma Daniel.
A piada dos dois monges, lá no inicio desta reportagem, não é gratuita.
Afinal, faz séculos que se pratica meditação no Oriente, por
recomendação religiosa. O detalhe é que agora a orientação também é
médica. Nos
anos 70, quando a prática começou a se espalhar pelo Ocidente
impulsionada pelo movimento hippie o cantor e compositor brasileiro Walter
Franco cantava que tudo era uma questão de “manter a mente quieta, espinha
ereta e o coração tranqüilo”. Hoje, os versos de Walter poderiam fazer
parte de uma receita médica, de um treinamento em uma grande empresa ou
até mesmo de um programa para a recuperação de presos.
“Focalizar a atenção no mundo interior, como se faz na meditação, é uma
situação terapêutica”, diz o psicólogo Jose Roberto Leite, coordenador
do instituto de medicina comportamental da Unifesp. “Queremos avaliar
o alcance dessa prática e isolá-la de seu aspecto supersticioso.” Por
trás dessa intenção está o fato de que as causas de doenças mudaram
muito nos últimos 100 anos. No passado, os males eram causados
principalmente por microorganismos. As pessoas morriam de poliomielite, de
sarampo, de varíola e outras doenças causadas por bactérias e vírus. Mas
isso mudou, graças ás melhorias em saneamento e a criação de antibióticos
e vacinas. “Hoje, a maioria das doenças é causada por coisas como
hipertensão, obesidade e dependência química, que estão ligadas a padrões
inadequados de comportamento”, diz José Roberto. Ou seja, o que mata
hoje são os maus hábitos.
E são esses maus hábitos que se pretende combater pela meditação,
também conhecida pelo pomposo nome de “prática contemplativa”. Apaziguar a
mente, os cientistas estão descobrindo agora, pode reduzir o nível de
ansiedade e corrigir comportamentos pouco saudáveis. O cardiologista
Herbert Benson, da Universidade de Harvard, um dos maiores pesquisadores
da meditação da saúde, chega a estimar em seu livro Medicina Espiritual
que 60% das consultas medicas poderiam ser evitadas se as pessoas
apenas usassem a mente para combater as tensões causadoras de complicações
físicas.
Mas afinal, como e que se medita e o que acontece durante a pratica
contemplativa? Bem, há um leque de modalidades para quem deseja meditar,
mas a receita básica é a mesma: concentração. Vale concentrar-se na
respiração, uma imagem (um ponto ou uma imagem de santo), um som ou na
repetição de uma palavra (o famoso mantra, como “ohmmm”, por exemplo).
Parar de pensar equivale a ficar quase que exclusivamente no presente.
Faz sentido. Os pensamentos são feitos basicamente de suas substancias:
as idéias e experiências que ouvimos, vivemos ou aprendemos no passado
e os planos e apreensões que temos para o futuro. E naqueles raros
momentos em que o meditador consegue livrar-se desses ruídos que surgem os
sentimentos comuns nas descrições de iogues famosos: sensação de estar
ligado com o universo ou ter uma superconciência de mundo. Meditar é,
portanto, concentrar-se em cada vez menos coisas, inibindo os sentidos
e esvaziando a mente. Tudo isso sem perder o estado de alerta, ou
seja, sem dormir.
Mas como saber se deu certo? Como saber se você meditou? Essa é a
melhor parte da história: não há nota ou avaliação. A não ser que você
medite plugado em um aparelho de eletroencefalograma para saber se suas
ondas cerebrais se alteraram. Como isso é pouco pratico, a melhor medida
para seu desempenho é você mesmo. Só você pode dizer o que sentiu e se
foi bom.
BIOLOGIA DO ZEN
Os efeitos da meditação sobre o corpo são surpreendentes. Nos
primeiros estudos sobre a meditação, na década de 60, o cardiologista Benson,
de Harvard, e outros pesquisadores submeteram meditadores a experimentos
nos quais a pressão arterial, os ritmos cerebrais e cardíacos e mesmo a
temperatura da pele e do reto eram monitorados. Constatou-se então
que, enquanto meditavam, eles consumiam 17%menos oxigênio e seu ritmo
cardíaco caia para incríveis três batimentos por minuto (a media para
pessoas em repouso e de 60 b.p.m.). Isso acontecia quando as ondas
cerebrais alcançavam o ritmo teta, mais lento e poderoso, no qual a mente
atingiria o estado de “superconciência” relatado pelos iogues e
caracterizado por insights e alegria.
As ondas teta vibram a apenas quatro ciclos por segundo. Para se ter
uma idéia, quando estamos ativos o cérebro emite ondas beta, de
oscilação em torno de 13 ciclos por segundo. Você conhece essa sensação
causada pelas ondas teta. E aquele embotamento dos sentidos que surge nos
segundos que antecedem ao sono. Naquele momento, nosso cérebro funciona
no ritmo teta. Mas os meditadores pesquisados não estavam dormindo.
Ao contrário, estavam bem acordados e serenos.
Mais tarde percebeu-se também que no momento da meditação o fluxo
sanguíneo diminuía em quase todas as áreas cerebrais, mas aumentava na
região do sistema límbico, o chamado “cérebro emocional”, responsável pelas
emoções, a memória e os ritmos do coração, da respiração e do
metabolismo. O cardiologista Benson, que escreveu um clássico sobre o tema
nos
anos 90 – A resposta do Relaxamento -, tomou emprestado um pouco da
humildade oriental e disse que seu trabalho se resumiu a explicar
biologicamente técnicas conhecidas há milênios.
Desde então, uma serie de novas pesquisas, respaldadas em imagens da
intimidade neurológica feita por tomógrafos sofisticados que retratam o
cérebro em funcionamento, levantou o véu sobre outros segredos. Um dos
estudos mais abrangentes e reveladores foi realizado por Andrew
Newberg, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A idéia era
registrar o que ocorre com o cérebro quando se alcança o clímax em praticas
místicas como a meditação e a oração. Newberg rastreou a atividade
cerebral de um grupo de budistas em meditação profunda e de um grupo de
freiras franciscanas rezando fervorosamente.
Ele constatou uma significativa alteração no lobo parietal superior,
localizado na parte anterior do cérebro e responsável pelo sendo de
orientação – a capacidade de percepção do espaço e do tempo e da própria
individualidade. Segundo as descobertas de Newberg, a medida que a
contemplação se torna mais profunda, a atividade na região diminui aos poucos
ate cessar totalmente no momento de pico, aquele em que o meditador
experimenta a sensação de unicidade com o Universo, cerca de uma hora após
o inicio da concentração. Nesse instante, privados de impulsos
elétricos, os neurônios de lobo parietal desligam os mecanismo das funções
visuais e motoras e o meditador ou devoto perde a noção de “eu” e sente-se
prazerosamente expandido, alem de qualquer limite. E o nirvana. Ou
seja, Newberg registrou em seus aparelhos a imagem de um cérebro
literalmente no paraíso.
Mas não e só isso. As imagens revelaram que, durante a experiência, os
lobos temporais (sede das emoções no cérebro) tiveram sua atividade
redobrada, o que explicaria a enorme influencia da meditação sobres as
emoções e a personalidade dos praticantes. Newberg não teve duvida em sua
conclusão: as sensações de elevação e contato com o divino vivenciadas
por budistas e freiras são um fenômeno real, baseado em fatos
biológicos.
Mas há quem veja tudo isso com uma certa desconfiança. “Ao que parece,
estamos diante de um fenômeno de marketing”, disse Richard Sloan,
psicólogo do Centro Médico Presbiteriano de Columbia, em Nova York,
comentando o encontro do Dalai com os cientistas, há três anos. Segundo
Richard é discutível se o impacto da meditação sobre o sistema nervoso e a
saúde tem um efeito profundo e duradouro ou apenas superficial e efêmero.
Então, está na hora de conferir o que os estudos dizem a respeito.
MENTE QUIETA, CORPO SAUDÁVEL
A meditação ajuda a controlar a ansiedade e a aliviar a dor? Ao que
tudo indica, sim. Nessas duas áreas os cientistas encontraram as maiores
evidencias da ação terapêutica da meditação, medida em dezenas de
pesquisas. Nos últimos 24 anos, só a Clínica de Redução do Estresse da
Universidade de Massachusetts monitorou 14 mil portadores de câncer, aids,
dor crônica e complicações gástricas. Os técnicos descobriram que,
submetidos a sessões de meditação que alteraram o foco de sua atenção, os
pacientes reduziram o nível de ansiedade e diminuíram ou abandonaram o
uso de analgésicos. Ou seja, eles aprenderam a entender a dor, em vez
de combate-la. Com isso, deixaram de antecipa-la ou amplifica-la por
maio do medo de vir a senti-la. Sim, porque a boa parte da sensação
dolorosa de psicológica, fabricada pelo medo da dor. Resultado: as
queixas de dor, segundo o diretor da clínica, Jon Kabatzinn, diminuíram, me
média, 40%.
No hospital da Unifesp, em São Paulo, a meditação é indicada para
pacientes com fibromilagia (dores nos músculos e articulacoes), fobias e
compulsões. Ali, estudo recente dirigido pela doutora em biologia Elisa
Harumi Kozasa atestou a melhoria da agilidade mental e motora em
ansiosos e deprimidos que, durante três meses, meditaram sob a orientação de
instrutores indianos. Outra pesquisa, coordenada pelas psicólogas
Márcia Marchiori e Elaine de Siqueira Sales, deve comparar nos próximos
meses os efeitos terapêuticos da meditação com os das técnicas de
relaxamento físico.
O desempenho antiestresse da meditação, segundo estudos das
universidades americanas Stanford e Columbia, acontece porque a mente aquietada
inibe a produção de adrenalina e cortisol – hormônios secretados nas
situações de estresse - , ao mesmo tempo que estimula no cérebro a produção
de endorfinas, um tranqüilizante e analgésico natural tão poderoso
quanto a morfina e responsável pela sensação de leveza nos momentos de
alegria.
Já parece motivo suficiente par render-se aos mantras, mas tem mais.
Investigações realizadas na Universidade Wisconsin, nos Estados Unidos,
acrescentaram que meditar também melhora a ação do sistema imunológico,
que defende o organismo contra o ataque de microorganismo (bactérias,
vírus e outros germes). A experiência comparou dois grupos de
voluntários – um constituído de pessoas que meditavam havia alguns meses e o
outro de não-meditadores. Primeiro constatou-se que os meditadores
tiveram um aumento na atividade da área cerebral relacionada as emoções
positivas. Então, ambos os grupos e submetidos a medições quatro semanas e
oito semanas depois. O pessoal habituado a entoar mantras apresentou
um numero bem maior de anticorpos, o que sugere que seus sistemas de
defesa estavam mais ativos.
Em abril de 2003, durante um encontro da Associação Americana de
Urologia, anunciou-se que a meditação ajuda a conter o câncer da próstata.
E
alguns pesquisadores relataram que mulheres com câncer de mama que
passaram a meditar tiveram elevação no nível de células imunológicas que
combatem tumores. Mas essas descobertas estão longe de alcançar a
unanimidade entre os cientistas. O psiquiatra americano Stephen Barret, um
dos principais críticos as terapias alternativas nos Estados Unidos,
desconfia desses resultados. “Meditar pode aliviar o estresse, mas sua
ação nunca ira alem disso no tratamento de doenças graves, como o
câncer.” Mesmo um entusiasta da técnica, como Herbert Benson, não descarta
os
tratamentos ocidentais tradicionais. Para ele, a saúde e a longevidade
no mundo moderno serão, cada vez mais, resultado de um tripé formado
por remédios, cirurgias e cuidados pessoais, incluindo-se aqui a
meditação e todo o poder catalisador das crenças nas reações orgânicas.
O CÉREBRO REPROGRAMADO
Mas ainda há muita coisa para ser descoberta sobre o mantra e os
pesquisadores estão debruçados sobre os meditadores, tentando entender como e
que um ato tão simples causa tantas modificações. Estudos como o de
Wisconsin, que ligam disciplina mental a emoções positivas e ao bom
desempenho do sistema imunológico, atiçam o interesse dos cientistas em
avaliar o real poder da meditação na reformatação das funções cerebrais. E
o que eles estão descobrindo e que, com suficiente pratica, os
neurônios podem reprogramar a atividade dos lobos cerebrais, especialmente a
área relacionada a concentração e a orientação.
Não da para negar que, sobre concentração, o Dalai Lama e os orientais,
com sua atenção aos detalhes e sua atenção extrema, tem muito a ensinar
aos ocidentais. “Só há pouco a psiquiatria ocidental reconheceu a
existência do transtorno do déficit de atenção (uma síndrome caracterizada
pela dificuldade de concentração, baixa tolerância a frustração e
impulsividade), mas há milhares de anos tradições como o budismo afirmam que
todos sofremos desse distúrbio com mais ou menos intensidade”, diz o
psiquiatra Roger Walsh, da Universidade da Califórnia em Irvine.
A possibilidade de alterar em profundidade o cérebro, apenas meditando,
talvez possa no futuro ajudar a prevenir ou a superar complicações
vasculares a custo bem mais baixo que o das cirurgias. Ou a romper
condicionamentos e redirecionar as mentes de indivíduos anti-sociais – o que,
alias, vem sendo testado com o relativo êxito. Numa experiência na
Kings County North Rehabilitation Facility, penitenciaria próxima a
Seattle, nos Estados Unidos, um grupo de prisioneiros condenados por crimes
relacionados ao consumo de droga e álcool praticou vippassana (meditação
budista com foco inicial na respiração, seguida de analise existencial)
11 horas por dia durante dez dias. Após voltarem para casa, apenas 56%
deles reincidiram na criminalidade no prazo de dois anos, um índice
considerado bom comparado aos 75% de reincidência entre os que não
meditaram.
Já na Universidade Cambridge, nos Estados Unidos, um estudo constatou a
redução de ate 50% nas recaídas de pacientes com depressão crônica que
passaram a meditar regularmente. A doença e acompanhada por uma
diminuição no nível de serotonina no cérebro, processo geralmente revertido
com o uso de antidepressivos, como o Prozac. A meditação aumenta a
produção desse neurotransmissor, funcionando como um antidepressivo
natural. Em Cotia, São Paulo, um programa de meditação para crianças
carentes, conduzido pela monja Sinceridade no Templo Zulai (sede da primeira
universidade budista do país), tem resultado em mudanças no comportamento
de 128 meninos de favelas. “Eles melhoraram significativamente a
concentração. E a convivência social com eles tornou-se mais tranqüila”,
diz ela.
FAST FOOD MENTAL?
Toda essa popularidade, porem, não permite afirmar que a meditação
continuara mantendo alguma identidade com a pratica ancestral do Oriente.
Alem de sua gradual transformação em técnica laica, ocorre neste
momento uma rápida adaptação do modo de usa-la ao estilo de vida ocidental.
Em vez de contemplações que duram uma eternidade (você ai teria pique
para ficar quatro horas sentado no chão, imóvel, com faz diariamente o
Dalai Lama?), tornou-se padrão a meditação de 20 minutos duas vezes ao
dia. Ainda assim, isso parece exigir uma boa dose de sacrifício de
inquietos habitantes de metrópoles como Nova York e São Paulo. Neste ano o
autor Victor Davich lancara nos Estados Unidos o livro Eight Minutes
that Will Change your life (“Oito minutos que mudaram sua vida”) no qual
defendera um tipo de meditação “fast food” de não mais de oito minutos.
Segundo ele, esse e o tempo que os americanos estão acostumados a se
concentrar diariamente: os blocos de programas de TV duram exatamente
isso, entre um comercial e outro. Da mesma forma, os mantras sonoros em
sânscrito das meditações místicas foram substituídos por mantras
mentais, baseados em palavras escolhidas ao acaso.
Tais ajustes são vistos com reservas por iogues, praticantes
tradicionalistas e ate instrutores mais liberais, como a americana Susan
Andrews,
para quem e saudável tirar a meditação “das nuvens do esoterismo” e
aproxima-la da ciência. “Relaxamento e pensamento positivo são efeitos
colaterais da meditação, não sua meta”, diz Susan. “O grande alvo e
atingir a hiperconsciência, o samadhi aquele estado de plenitude,
iluminação e êxtase indescritível.” A questão e que para chegar lá o meditador
precisa deixar de lado a idéia de que meditar não implica qualquer
esforço, cuidando de manter a concentração firme e afinada por pelo menos
uma hora. E isso, admitamos, e algo que também exige um preparo de
monge.
PASSO A PASSO, há várias maneiras de meditar, mas a regra básica e a
mesma; atenção.
Sentado: no chão ou em uma cadeira, mantenha a coluna ereta e
concentre-se nos movimentos da respiração, observando a entrada e a saída do ar
pelas narinas. Se preferir, concentre-se num mantra, que pode ser
qualquer palavra, uma frase ou apenas um murmúrio. Repita seu mantra a
cada expiração. Fechar os olhos pode ajudar. Se ficar de olhos
abertos,
concentre o olhar em um ponto.
Em pé: posicione-se junto a uma fileira de arvores e tente se sentir
como uma delas. Concentre-se na respiração e imagine seus pés
desenvolvendo raízes no chão.
Caminhando: e uma boa saída par quem, por algum motivo, não consegue
ficar imóvel. O segredo e focar as pisadas, vendo-as como um todo ou
como segmentos do movimento, que pode ser lento ou acelerado. Melhor
caminhar em circulo, sem a expectativa de um ponto de chegada.
Visualização: crie uma imagem significativa para você – pode ser um
símbolo religioso ou uma paisagem – e concentre-se nela.
ENTRE O CEU E OS NEURÔNIOS
Meditação não e coisa só de budistas. Varias religiões tem sua versão
dessa pratica.
Hinduismo; textos sagrados do período védico, entre 2000 e 3000 a.C.,
fazem referencias a mantras e contemplações. A meditação é uma das
principais práticas do conjunto de escolas religiosas da Índia conhecido
como hinduismo.
Budismo; foi meditando debaixo de uma figueira que o príncipe Sidarta
Gautama alcançou a iluminação, por volta de 588 a.C., tornando-se o
Buda. Pratica fundamental o budismo, a meditação e vista, sobretudo, como
um método de examinar a realidade pessoal de eliminar condicionamentos.Cristianismo: os chamados padres do deserto, da região de Alexandria,
no Egito, e que consolidaram a meditação como habito cristão no século
4. A pratica, disseminada nos monastérios, desde o século passado vem
sendo adotada por cristãos leigos.
Judaísmo: os praticantes da Cabala, tradição esotérica judaica,
difundiram a meditação entre seus adeptos na Europa, por volta do ano 1000,
como uma forma de entrar em comunhão com Deus.
Islamismo: também por volta do ano 1000, os sufis, que constituem o
segmento místico dos muçulmanos, incorporaram a meditação aos seus
rituais, os quais incluem o êxtase místico por meio da dança.
Independentes: em 1967, um encontro dos Beatles com o guru Maharishi
Mahesh Yogi iniciou a expansão da meditação transcendental no Ocidente e
o florescimento de uma infinidade de gurus e técnicas meditativas que,
desde então, atraem adeptos em toda parte.
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